Costuma-se dizer que pior não pode ser ou ficar. Infelizmente, a única vez que esta expressão me saiu da boca foi como meter a "pata na poça". Desde esse dia que acredito que se é mau pode ficar pior. Bastante pior.
Quero acreditar que não é isso que vai acontecer em 2012.
Quero acreditar que não é isso que vai acontecer em 2012.
Não foi um ano bom. Foi um ano com muitas coisas boas mas foi um ano na generalidade muito triste. Repleto de preocupações, confusões, ansiedades e tristezas. Perdi o meu melhor amigo. E perdi outros amigos de 4 patas. Foi uma luta ingrata. Fiz tudo o que me era possível. Talvez me tenha esquecido do impossível. Claramente não venci.
Houve pouco descanso, poucas férias. Mas a semana em São Tomé é inesquecivel. Pela companhia, pelo ambiente, pela beleza, pelas pessoas com quem nos cruzámos. Também houve a quinta do Cabrum. Acima de tudo houve as pessoas que estiveram no Cabrum. Documentado na perfeição. O scrapbook é o reflexo do fim-de-semana. Lindo. Houve também a música no coração em Salzburgo. Houve Innsbruck, Colónia, Bona, Limburg e Londres. Houve sol e praia.
Houve muita dificuldade em sair da cama mesmo não tendo sono. Houve muita dificuldade em dormir.
Houve amigos e família a perderem os empregos mas também houve quem arranjasse melhor.Vi empresas a fecharem mas também vi outras a começarem. Felizmente estou a ver projectos a crescer.
Houve, como diz o meu afilhado, a confirmação do mal. E desse não estou livre. Gostava, mas não estou.
Houve sombras e fantasmas que teimam em partir.
Houve o final da Oprah e séries vistas em modo "no stop".
Perderam-se máquinas fotográficas mas fotografaram-se abraços, beijos e monstros debaixo de água.
Houve a última vez na lagoa contigo.
Houve sacrifícios. Alguns. Por mais do que uma pessoa. Sacrifícios que ainda não sei se valeram a pena.
Houve a Troika e o FMI, eleições e aversões, tremores de terra e tsunamis, inundações e incêndios.
Houve aventuras e desventuras.
Houve angústias. Tantas. Por mim e pelos outros. Vi pessoas a sofrerem por aqueles que partiram,, vi pessoas a sofrerem por problemas de saúde, vi pessoas a sofrerem por separação, vi muitas pessoas preocupadas.
O mano fez 40. Amigos fizeram 40.
Partiram-se camas e fizeram-se obras.
Fez-se uma sessão fotográfica. Ainda bem que se fez.
Vi pessoas a fazerem o que nunca imaginei que fizessem.
Comeu-se e bebeu-se muito. Tentou-se a improvável perda de peso.
Conheci pessoas especiais.
Fui ver flores, lobos e saltei de para quedas
Ganharam-se novos amigos, novos alentos e talentos.
Confirmou-se que o mundo está de pernas para o ar.
Não houve casamentos. Mas houve separações.
Houve pessoas que desapareceram sem ser preciso um tsunami. Felizmente houve outras que apareceram sem ser preciso magia.
Houve amigos que regressaram e houve outros que emigraram
Houve tolerância, flexibilidade. Houve poucas cedências e muita impaciência. Houve desilusão. Mas houve disponibilidade.
Houve desculpas que ficaram por pedir, ausências quase injustificadas, agradecimentos esquecidos.
Mas o mais importante e aquilo que me traz verdadeiros sorrisos foram os laços que se mantiveram e os que se criaram, os que cresceram e os que foram diferentes. As pessoas. Sempre as pessoas. As que me ajudam a tentar ser uma pessoa melhor todos os dias, as que me trazem alegrias mesmo que seja para me contarem tristezas. As que contam comigo e aquelas com quem eu posso contar. Houve pessoas muito perto este ano. Ainda bem. São pessoas especiais por serem imperfeitas. É nesse mundo que eu vivo. No da imperfeição.
O que quero relembrar neste ano são as relações, os momentos, as gargalhadas, os sorrisos, as partilhas, a cumplicidade, o choro, os conselhos, os silêncios.
2011 fica arquivado. Mas ainda não sei em que gaveta.
Em 2012 quero dar vida às palavras. Quero falar menos mas melhor, quero dizer o que ainda não disse, quero que os outros não me cortem as palavras mesmo quando não se apercebem que o estão a fazer, quero palavras mudas e surdas para mim e para todos, para que não se diga o que não se quer dizer e para que não se deixe por dizer o que é importante. Quero coragem e vontade.
2011 fica arquivado. Mas ainda não sei em que gaveta.
Em 2012 quero dar vida às palavras. Quero falar menos mas melhor, quero dizer o que ainda não disse, quero que os outros não me cortem as palavras mesmo quando não se apercebem que o estão a fazer, quero palavras mudas e surdas para mim e para todos, para que não se diga o que não se quer dizer e para que não se deixe por dizer o que é importante. Quero coragem e vontade.
Em 2012 há a esperança. A esperança na Lua. A esperança nas capacidades e no reconhecimento. A esperança de fazer melhor. A esperança que o egoísmo diminua. A esperança na mudança.
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